João Pereirinha
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sobre ser...
Queremos ser pessoas
Sem sabermos
Quem realmente somos!
Queremos ser pessoas
Sem nos conhecermos
Mas na verdade,
Quanto a nós mesmos,
Nunca queremos
É ter mais idade,
Chegar à responsabilidade,
Queremos imortalidade...
Brincar de Deus
Para quê, sinceramente,
Quando somos todos ateus?
O que na verdade queremos
É fazer o que não podemos,
o que não temos simplesmente
ao alcançe da mente!
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As coisas da vida
Saber aproveitar
O que a vida
Tem para nos dar,
É um lema, à partida,
Fácil de executar.
Mas quando tudo
Se complica
Não sabemops onde procurar,
Batemos fundo,
Perdemos a carica
Que nos prendia no interior.
Libertamos a dor
E devolvemos à vida
O que ela tem de pior.
13/10/2008
João Pereirinha
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Quando ela Passa!
Quando ela passa...
O trânsito não passa
o vento para
a brisa abranda
o ar sufoca
os homens olham
e naquela rua
manda mais ela
que o brilho da lua!
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Rimas... soltas...
De espírito aberto
Livre e criativo,
De mim chega perto
Nesse suspiro vivo,
O vento por ti coberto
De cheiro intenso e desperto,
Fazendo-me perder
Na imensa loucura
De em mim te ter!
Em ti essa frescura
De mil gotas de ternura,
Perco-me na procura
Louca e incessante
Dessa água de nascente,
Que é em meu corpo nu
Água corrente!
Não há, sem ser no paraíso
Ninguém como tu,
Enaltecendo com o sorriso
As coisas deste lugar,
Que ao te verem passar
Morrem por te tocar.
E assim sou ser vivo,
Porque de mim chega perto
Esse teu espírito aberto,
Livre e criativo:
Suspiro de vento por ti coberto.
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Rimas... soltas...
Não me olhes assim,
Pois é escusado
Usares em mim
O teu punho fechado.
Até que te invejo
Nessa tua forma de ser,
Que sem saber
Não tem vontade de saber!
Na acção (és) impulsivo,
Mas nada ganhas em ser
Dessa forma agressivo.
Mais tens a perder
Do que esperas vencer.
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Talvez o mundo vá acabar
Pondo desde já de parte todas as teorias de conspiração sobre o onze de Setembro e as teorias maias de que o mundo irá acabar em Dezembro de dois mil e doze, de facto, e vendo bem o que se passa à minha volta, acho que o mundo vai acabar mas ninguém me avisou.
Basta abrir a janela de manhã p’ra pensar “anda tudo tresloucado” (porque atrás da minha casa onde era p’ra nascer um parque infantil estão a construir garagens para os moradores do prédio que têm opção de compra). Mas depois de pensar isto ligo a tv e vejo coisas totalmente surreais neste nosso “Portugal dos pequeninos”, que p’los vistos nem de todos os pequeninos.
Estou a falar neste caso, obviamente, da menina Alexandra. Como devem saber, depois de passados mais de quatro anos entregue a uma família de acolhimento por a mãe biológica, emigrante russa em Portugal, não reunir de facto condições psicológicas nem monetárias adequadas para cuidar da mesma. Acontece que passados estes anos todos essa mesma mãe entra em conflito judicial com a família de acolhimento, com a qual mantinha uma relação estável, segundo os mesmos, recorrendo-se destes por diversas ocasiões, pela custódia da criança. A primeira batalha, no tribunal de Barcelos, foi ganha pelos pais afectivos. Tribunal tem em linha de conta para esta decisão o choque que poderia significar para a criança a ida para a Rússia com a mãe; reconhece os comportamentos desviantes da mãe, os divórcios, a filha que não vê à seis anos etc.; que a criança “só muito recentemente está a conseguir ver a mãe de forma positiva”; e que a progenitora não “forneceu qualquer garantia que tem para a sua filha e até para si, um projecto de vida (…) como não indicou que está disposta a sacrificar os seus interesses, por mais legítimos que sejam, em prol do bem estar da filha”.
Acontece que, como já disse, vivemos em Portugal, e é isso que não quero que se esqueçam. E como assim é, tudo é possível. Quem ganha uma batalha não ganha a guerra e vice-versa, como tal a mão biológica recorreu então a outro tribunal, de Guimarães, desta decisão. Uma coisa que todos os acusados ou acusadores no nosso país adoram fazer. E “voilà” o inesperado acontece. Dois tribunais portugueses, sobre a mesma situação, a contradizerem-se brutalmente. O tribunal de Guimarães, além de contradizer todas as perspectivas do tribunal de Barcelos e por de parte toda e qualquer análise psicológica, acrescenta ainda ao caso que “só por laxismo ou desatenção se poderia deferir a confiança à ama em questão, pois não transparece dos autos um quadro pessoal e psicológico suficientemente equilibrado que justifique tal escolha”. E assim foi, uma criança de seis anos é entregue às mãos da mãe biológica e partem as duas para a Rússia, depois de esta a ter abandonado aos dezassete meses, sob um circo mediático e após ter criado vínculos e laços afectivos, durante vários anos, os mais importantes para este feito, com uma outra família. Nem sequer é preciso ter uma singela iniciação em psicologia, como eu, para perceber, como todos os psicólogos o afirmam, que a criança vai e está já a sofrer graves traumas com todo este caso. Mas é este o “Portugalito” que temos, o que acontece agora é que perderam-se todas as hipóteses de regresso da criança pelo facto de esta se encontrar agora num país estrangeiro e fora da U.E..
No entanto, eu insisto e penso que não pode ser verdade e então por impulso, mudo de canal. Mudo e vejo, o que os jornalistas do momento apelidaram de “manifestação espontânea” às portas de uma escola. Até aí tudo normal, com o avançar da notícia, ouço “governo fascista, a morte do artista”, grita a multidão de alunos em causa. Começo a ficar confuso, a palavra “fascismo” está relacionada com a ditadura de Mussolini, que tinha ligações de direita, o nosso governo é de centro esquerda, não podia ser cá de certo. Mas era, era na escola secundária artística profissional António Arroio, em Lisboa. Ao que parece o governo deslocou-se às instalações da mesma para celebrar os contratos de renovação das instalações da escola e os alunos estavam a manifestar-se ao que parece porque não queriam as obras na mesma mas antes sim a aquisição de novos materiais. É mesmo de “porteguesinho”, cuspir na mão de quem nos dá de comer. Perplexo com toda esta situação apenas gostava que os nossos futuros artistas fossem, no mínimo, um pouco mais cultos, pois de orgulho, passam a ser a vergonha do povo.
Mas não perco a esperança e à noite, voltando a casa depois de ter passeado pela calçada, e mais calçada, e parece que calçada é mesmo a maior obra publica do meu concelho, só faltando já entrar pla casa das pessoas a dentro, ligo novamente a tv. E vejo mais uma peixaria em horário nobre. Desta vez uma luta entre Manuela Moura Guedes e o seu convidado Marinho Pinto onde este lhe diz curtas e grossas a cerca do seu (dela) profissionalismo e pender jornalístico, à imagem do que já tinha feito o primeiro ministro em Abril numa entrevista à RTP onde apelidava o jornal de sexta feira da TVI de “um jornal-travestido”.
Bem, metendo isto tudo no contexto onde o país e o mundo atravessam uma das piores crises financeiras de sempre, onde as reservas de petróleo escasseiam cada vez mais, onde tem deixado de chover no inverno e os verões são cada vez mais rigorosos. Depois de tudo isto, de ver quase todos os nossos sistemas falidos e viciados, não me querem dizer que o mundo vai acabar? Bem talvez não, mas que está perto está, não de acabar no sentido que muitos de vocês estarão a pensar, mas sim num sentido de falência social.
O que é preciso é uma renovação de mentalidades, pessoas, sistemas, ciclos. Não sei se o mundo vai acabar ou não ou se alguém irá impedir tal desfecho, no entanto, chamem-me louco, mas vou continuar a acompanhar o noticiário.
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Rimas... soltas...
Simplesmente,
é a palavra marcante
desta página de vida.
Ser ser pensante
amar-te perdidamente
como cavaleiro andante
que leva à sua querida
o coração em presente!
Ser assim errante
e contudo consciente
é milagre certamente
que nos possamos amar
sem nada cobrar!
Entre o só e o acompanhado
quero por ti ser guardado!
21.04.09
O Amor é assim,
daquela outra forma,
bom pra ti e pra mim,
o Amor adorna
e aconchega a Alma
e reconforta os sentidos
é lamechas e deixa-nos perdidos
e tem se sentir com calma!
Há tanto que não escrevia
sobre este tema,
há muito que não via
nele inspiração
até que tu, com o teu esquema
me tirares da solidão
e dares a este pulso
uma nova força e uso,
tendo agora forçosamente
que escrever, o que me vai na mente.
21.04.09
E é andar assim perdidamente,
melhor que nunca , que antigamente,
viver feliz no presente
sem pensar no passado
mas contudo, do futuro assustado,
pois se já tudo foi conquistado
a ferro e fogo, se a dificuldade
passou a ser felicidade
e me deixei conquistar,
perder e fascinar,
no mundo da irracionalidade,
tenho medo, do que virá
e se permanecerei
aqui no céu ou no inferno arderei,
claro está!
22.04.09
O outro lado
da moeda
bordado
que me chateia,
um bocado,
todo o emaranhado
desta longa teia.
O que é não é
e mesmo longe
do olhar
tenho-te aqui ao pé,
guardo-te como monge
que reza
do alto do seu monte
com a certeza
de voltar a ver-te
ao longe, no horizonte.
É bom ter-te
22.04.09
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Orgulhosamente Só
No recanto do meu quarto ecoam em meu espírito estas palavras, que, apesar de tudo, desalinhadas do contexto, enquadram-se perfeitamente a este texto, a este meu contexto.
O mundo, como um criança, pula, pouco avança e no sentido que o vejo ir, apenas o vejo recuar. Será fruto da nossa filosofia, ou será que nem a isso posso chamar “nossa” mas sim dos de mais, que a quando eu deixo o rio, todos o vejo a subir?
Em momentos assim, em que parece que a corrente está do avesso e acreditamos então na melodia dos loucos de Lisboa, tomando-nos nós próprios no seu lugar, cabendo-nos a nós o papel de loucos, podemos, se é que posso falar no plural agora, pensar que o mal é nosso?
Talvez seja. Ou talvez não, que importa isso? Quantos não foram os que nasceram fora de época, fora de contexto, e que fizeram eles de mais que os outros? Viveram, cresceram quanto baste, morreram e assim ficaram, nas páginas que escreveram, os que puderam.
Que direito temos afinal de nos achar melancolicamente sós e abandonados nas nossas intimas convicções, algumas não tão intimas quanto isso, mas mesmo assim profundas todas elas? Ora, quem tem que esclarecer todas as nossas interrogações se não nós mesmos, sem que para tal nos tenhamos que achar, presumir, mais importantes que aqueles, que sem interrogações, vivem felizes, apenas e só, neste mundo, habitantes?!
Escrevo e apago, palavras que ninguém poderá ver, que eu pensei, porque não as deixei, para ninguém julgar. Escrevo e apago, e volto a escrever, aquilo que na alma, não me para de roer. Escrevo, e não apago, aquilo que no pensamento tenho, digno de todos ler… na prosa a poesia, e a poesia prosaica, o mundo ao contrário e a humanidade devasta que, maioritariamente errada, os contextos formou, esqueceram-se contudo dos que com texto, sem contexto teriam que viver…
Que me resta então, se não as luzes apagar, e um livro ler. A esta altura do campeonato já não precisa de um bom livro ser, apenas um livro, pra que possa adormecer…
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Passagem de Ano 08/09
Pois bem pessoal costuma-se dizer: ano novo, vida nova!
Este ano não peço uma vida nova, apenas uma igual ou se quiserem melhor, mas não sei como poderá ser melhor.
Primeiro que tudo esta passagem de ano foi inesquecível, com as melhores pessoas do mundo, e cheia de calor humano, diversão, muita areia à mistura e água pelos pés!
Fui para a Nazaré com um grupo de amigas, mas nada disso que estão já para aí a pensar malta, só namoro com uma, e amo-a mais que tudo! Mas deixemos de lamechices sim? Pronto, um obrigado a todos os que este ano foram para a Nazaré, pois foi graças a essa multidão de gente que tudo foi possível, obrigado à CM da Nazaré, que acho que foi quem organizou, e em especial à Maria Leonor, à Marta Figueiredo, à Luana Leitão (minha namorada) e à Joana Diniz que decidiram embarcar nesta aventura até a este magnifico local chamado Nazaré!
Quem diz que é preciso ir para o estrangeiro, para a Madeira ou pra outro sítio qualquer no mundo quando temos aqui nosso Portugal continental um dos melhores sítios do mundo para passar a passagem de ano! Simplesmente Brutal!
Já se notou o meu entusiasmo e o meu contentamento bastante bem e também, espero, o meu desejo em lá voltar!! Por isso quem foi que volte, quem nunca foi que vá!!!
A contagem decrescente na falésia, os 3 palcos distintos, os bares e acima de tudo, as pessoas e a companhia, o melhor do mundo!!!
Feliz 2009 a todos! Obrigado pelo 2008 e espero voltar a escrever algo do género em 2010! ;)


